quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Memória Política

Carlos Acelino 



Décima Quarta Legislatura
Começa a Era Dário Berger


Dário Berger iniciou na política concorrendo a Vereador pelo PL em 1988, junto com Fernando Elias (PFL). Ambos conquistaram 320 votos e não se elegeram. Na mesma eleição um novo grupo político iniciava a trajetória de sucesso que resiste até os dias atuais. Com eles concorreram pela primeira vez Carlos Acelino (PSC), José Natal, Vanildo Macedo, Édio Vieira, Ademar Koerich e Juquinha disputaram pelo PFL.
Em 1992, Dário coseguiu seu primeiro e único mandato como Vereador, sendo quinto mais votado, com 994 sufrágios. Dois anos após, tornou-se Presidente da Câmara com 19 votos favoráveis, um contrário e um em branco. Dali em diante iniciou a pavimentação de seu nome para ser o sucessor de Gervásio Silva, Vice de Germano Vieira que assumiu em maio de 1994, por força do afastamento do titular em processo consumado na Câmara.
Referendado candidato de Gervásio pelo PFL, com o Vice do PMDB, Lauro Guesser, Dário iniciou uma campanha com apenas 3% de aprovação popular, contra a candidata favorita, Marli Marçal que concorria com seu vice Gerando Swiech pelo PPB/PDT/PSC, e já demonstrava preferência total, 39% de intenções de voto. Pelo PT o candidato era Antônio Battisti com Chico Silvy de Vice. A campanha teve início e o material de Dário, muito criativo e de grande visibilidade gerou já um crescimento de intenções de votos em torno de 10%.
A sacada final foi a conquista de espaço na TV aberta, única vez numa eleição para Prefeito em São José. A coordenação do PFL josefense contratou uma agencia profissional para produzir os programas televisivos, onde Dário apresentou excelente desempenho de imagem e discurso. As vésperas do pleito, os dois principais candidatos já estavam empatados. As urnas demonstraram o sucesso da campanha. Dário ganhou a eleição com 42,50% dos comparecimentos, contra 32% destinados à Marli. Homero de Miranda Gomes Júnior fez 7,6% pelo PSDB/PL, Antônio Battisti conseguiu 7,2% e Álvaro Luiz Parente apenas 0,30%.
Dário Berger começou a governar com uma bancada de dez vereadores, quatro do PMDB e seis do PFL, com a proposta de continuar o bom governo de Gervásio Silva, fez uma gestão empreendedora, conseguiu articular maioria absoluta no Parlamento, realizou obras e projetos de grande apelo popular, que o credenciaram a se reeleger com 84% de aprovação em 2000 e pavimentaram sua trajetória política como Prefeito da Capital do Estado, eleito em 2004 e reeleito em 2008.
Em São José Dário realizou mais de 1400 obras, dentre elas a construção de dez Centros de Saúde, cerca de trinta colégios e Centros de Educação Infantil, cinco Ginásios de Esportes, o Centro de Convivência do Idoso, o Motódromo Pedra Branca, pavimentação e drenagem de mais de mil ruas, a nova Prefeitura, ampliação e modernização da iluminação pública, o canal do Rio Três Henriques, as capelas mortuárias, a ligação entre Barreiros e Forquilhinha, a Cidade da Criança, a reforma administrativa, com a informatização de todos os serviços públicos, a criação da Secretaria da Receita Municipal, o recadastramento imobiliários, a Escola do Meio Ambiente, a Avenida das Torres e a Avenida Beira Mar
 
No dia 4 de outubro de 1996, a 1ª Junta da 29ª Zona Eleitoral, presidida pelo Dr. Luiz Antônio Brito de Oliveira, encerrou os trabalhos de apuração das Eleições Municipais realizadas no dia 3, que foram realizados em 2 locais: as urnas da 84ª Zona (Barreiros) foram apuradas no Colégio Elisa Andreoli, e as da 29ª Zona no Ginásio de São José, onde foi oficialmente divulgado o resultado final do pleito, às 13 horas. Foram apuradas 255 urnas das 260 seções existentes, sendo 5 urnas agregadas. Dos 88.023 eleitores aptos a votar, compareceram 77.508. O percentual de abstenção foi de 11,95 %, totalizando 10.515 eleitores.





segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Memória Política

Carlos Acelino 




RENÚNCIA
Ele foi o Vereador mais votado da UDN.
Mas compareceu muito pouco às sessões e renunciou ao mandato



A eleição de 03 de outubro de 1950 elegeu 6 vereadores do PSD e 3 da UDN, Silvestre Philippi (PSD) foi eleito Prefeito com 2267 votos. Seu adversário, Alfredo Sell, de Rancho Queimado, conquistou apenas 1274 pela UDN. Francisco Goedert, Walter Borges, Viro Stahelin, Miguel de Souza, Kiliano Kretzer e Gentil Sandin formaram a bancada majoritária do PSD. Pela UDN, Hironimus Thiesen, Mário Pires e Clemente Schappo conquistaram seus mandatos. Hironimus era muito ausente dos debates, faltou 19 sessões seguidas e renunciou ao seu direito. Para a vaga, o Presidente Gentil Sandin convocou o primeiro suplente, Leopoldo Francisco Kretzer, que tomou posse em 09.05.52.
Sexta-feira santa, 1945. Hironimus Thiesen inicia a sua culinária anual. Junta gravetos sob a chapa e acende o fogo. Aquecida a contento, coloca a panela de pinhão a cozinhar, e pega os filhos pela mão. De Mato Francês a Taquaras, vai percorrer 8 km a pé, com a família, para a igreja.
A igreja de Mato Francês, em Rancho Queimado, foi erguida, em campanha de porta em porta que a esposa empreendeu, buscando doações da comunidade.
Homem de incansável disposição para o trabalho, iniciou bem cedo a jornada para um lugar ao sol, órfão que ficou aos 9 anos e foi morar com o irmão mais velho que o adotou.
Os pais, José Thiesen e Maria Luckmamn faleceram e ele partiu de Teresópolis, Águas Mornas, onde nasceu, para Taquaras, onde já começou a trabalhar, entregando mercadorias com a carroça do irmão, negociante de secos e molhados. Desde pequeno Hironimus tinha muita vontade de vencer. As dificuldades da vida sem o carinho de um lar e o pouco estudo que teve, na localidade de Santa Isabel, o obrigaram a ir à luta.
Aos 19 anos, conheceu Dona Maria de Lurdes Ramos Tholl, neta de Aureliano Ramos, de Taquaras, que residia com a mãe, viúva, e uma jovem irmã, em Mato francês. O casamento logo aconteceu e ele foi morar na casa da sogra, recomeçando a vida nos negócios, praticamente do nada. Sua obstinação e vontade de vencer o tornaram um forte comerciante de Mato Francês, vendendo galinhas, ovos, queijo, manteiga, cebola e cereais. Em pouco tempo adquiriu um terreno e construiu sua casa, levando a sogra e a cunhada para morar junto. A esposa era fraca e doente e os afazeres eram assumidos pela sogra.
Hironimus era um homem centrado, bonito, bom papo, de muitas amizades e nunca parou. Católico praticante, fumava muito.
A casa grande, de madeira, era procurada por todos, com a hospitalidade habitual e comida farta. Em Mato Francês todos falavam alemão. A professora local Dalva Mainchein, da sede, de São José tinha dificuldades de ensinar o português. Os filhos foram crescendo e Hironimus preocupava-se em dar-lhes formação digna, para evitar as dificuldades por que passou. Em pouco tempo adquiriu dois boxes no Mercado Público e comprou um caminhão para levar mercadorias a Blumenau e Florianópolis e os negócios cresceram. Semanalmente descia para as feiras. No retorno trazia sempre o jornal e maçãs para a esposa.
Sendo Mato Francês forte reduto udenista de São José, resolveu se candidatar na eleição de 1950 e foi eleito com 203 votos.
Incansável, não tratava uma ferida na perna, que o incomodava, permanecendo com ela até a morte. Em casa, os filhos eram orientados a votar nos seus candidatos udenistas. Na eleição de 1958, apareceu um voto de deputado para o pedessista Ivo Silveira nas urnas locais e o pai, no balcão da venda questionava de quem seria. Era da própria filha Beth, que votara pela indicação do noivo, José Valdir, de Palhoça. Mesmo eleito, sempre atarefado, não comparecia às sessões da câmara, desistindo de seu mandato.
Hironimus teve uma descendência que não conheceu as agruras do pai. Maria Bernadete, a Beth Bordados casou-se com Jose Valdir Harger. Julieta é casada com Silvestre Fritzen. Lúcia casou-se com Alceu Macedo, cunhado de Geci Thives, José com Vilma Werlich; Isabel casou-se com Rogério Ortiz Rossetto; ambos já faleceram. Bonifácio foi casado com Cecília Briesdorf, Maria de Lourdes com Jairo Gabriel Eli, João Gerônimo com Alaíde Mello.
Tanta labuta o levou cedo à morte aos 59 anos. Adoeceu e em trinta dias faleceu no Hospital de Caridade. Uma linda história de luta, perseverança e vontade de vencer. Hironimus Thiesen é o exemplo de um homem que venceu. Pelo trabalho.
Vereador HIRONIMUS THIESEN e a esposa, Maria de Lourdes.