terça-feira, 7 de agosto de 2012

Memória Política

Carlos Acelino

1930 – A Vitória Liberal


A Aliança Liberal em Santa Catarina se estruturou, ante o alijamento da família Ramos, a partir de 1921, pelos líderes do Partido Republicano Catarinense. Vidal e Nereu, pai e filho, e o primo Aristiliano, se juntaram ao movimento que, partindo do Rio Grande do Sul foi ocupando as cidades catarinenses e substituindo seus prefeitos.
A revolução empreendida pela Aliança Liberal estourou em Porto Alegre em 3 de outubro de 1930. Não era para menos. Nas urnas do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas, que perdeu a eleição para a presidência, fez 298.627 votos, contra apenas 972 dados ao candidato republicano Júlio Prestes, naquele Estado.
A caminhada partiu do Rio Grande rumo a São Paulo. A estratégia adotada previa que, com a ocupação de todo o sul do Brasil e a adesão de Minas Gerais e Paraíba, estaria fechado o cerco para invadir o Rio de Janeiro e depor o Presidente Washington Luís, antes da posse de Júlio Prestes.
Fúlvio Aducci acabara de assumir o governo catarinense em 28 de setembro, sucedendo Adolfo Konder, que governara de 1926 a 1930. Ante as ameaças reinantes, nosso Estado foi transformado em escudo militar protetor para barrar o caminho dos revoltosos rumo ao Palácio do Catete. Mesmo assim, em 4 de outubro praticamente todo o sul do Estado estava tomado. Araranguá, Criciúma e Tubarão foram dominados facilmente e o exército de Porto União tinha aderido ao movimento, partindo para conquistar Lages, Rio do Sul e Blumenau, cujas ocupações foram consumadas no dia 5.
Com a deposição do governo do Paraná em 5 de outubro, a Presidência da República decretou o estado de sítio no país. Ainda no dia 5, cai Imbituba e no dia 6 é a vez de Lages. No dia 7 ocorre a rendição de Blumenau e Joinville. Praticamente todo o planalto, o oeste e o norte (Porto União e Mafra) estão tomados no dia 7.
Nereu Ramos comandou pessoalmente a ocupação de Rio do Sul no dia 13, de lenço vermelho no pescoço, quando o general Ptolomeu Assis Brasil, já estava a caminho com três batalhões para render a capital catarinense.
Em 20 de outubro uma legião comandada por João Porto Magalhães toma a estrada de Anitápolis e pernoita em Palhoça, acampando nos dias 21 e 22 em São José. No dia 23 os revoltosos já se encontram no Estreito, e na madrugada do dia 25 marcham para o Palácio do Governo. O Presidente Washington Luís havia sido preso no dia anterior. Fúlvio Aducci, seu vice José Acácio Moreira, os secretários Ivo de Aquino e Arthur Ferreira da Costa, o senador Adolfo Konder e o presidente da Assembléia Legislativa Bulcão Viana, fogem para o exílio.
O General Ptolomeu Assis Brasil  diz-se governador civil e militar do Estado, mas uma Junta Governativa foi nomeada do Catete: Acastro Jorge de Campos, Otávio Valgas Neves e Henrique Melquíades Cavalcanti, e, a exemplo do resto do país, dissolve as Câmaras Municipais e a Assembléia Legislativa e passa a destituir todos os prefeitos.
A Junta Governativa nacional dissolveu o Congresso.
Em 25 de Outubro Ptolomeu Assis Brasil, é indicado Interventor Federal de Santa Catarina, para desagrado de Nereu e Aristiliano, que estavam de olho no cargo e se imaginavam escolhidos.
Com a edição do Código Eleitoral, em 24.02.32, que estendeu o direito de votar a todo cidadão maior de 21 anos, Ptolomeu, descontente com as mudanças do Código, anunciou sua renúncia pela imprensa em 8 de abril e viajou ao Rio para apresentá-la oficialmente. A situação só foi definida em 3 de maio, quando Getúlio apresentou o nome de  Lucas Alexandre Boiteux para a vaga. Inconformado, Ptolomeu volta atrás, pede uma licença de 3 meses e transfere o cargo para seu Secretário da Fazenda Cândido Ramos. Em 4 de outubro, o novo Interventor dá um bote nos pretensos candidatos e traz do Rio o nome de seu sucessor, nada menos que seu irmão Rui Zobaran.
Pela primeira vez as mulheres conquistam seu direito de votar. O novo Código Eleitoral excluiu desse direito os analfabetos, os mendigos e os praças, mantendo-o para os oficiais.
Em 18 de abril de 1933, Aristiliano Ramos finalmente consegue emplacar como Interventor, governando até 29 de abril de 1935, transferindo o cargo naquela data para Fontoura Borges do Amaral Mello, que fica na interinidade até 1 º de maio, data em que Nereu Ramos assume o governo eleito indiretamente pela Assembléia Constituinte estadual, dando um golpe definitivo no primo, evento que os conduziu dali em diante por caminhos opostos.
Com o Estado Novo, Nereu permaneceu no cargo e foi designado Interventor Federal em 26.11.37, governando até 05.02.46, quando assumiu Udo Deeke.
A vida democrática do país volta à sua plenitude com as eleições de 1946. Aderbal Ramos da Silva elege-se o primeiro governador da redemocratização e assume em 26.03.47. José Boabaid é eleito Presidente da Assembléia Legislativa com mandato de uma Mesa Diretora única, até 1951. As eleições para prefeitos e vereadores foram realizadas em 23 de novembro. Em São José foi eleito Arnoldo Souza, do PSDB, com 2.453 dos 3.348 votos apurados. Alvaro Tolentino de Souza, da UDN, fez apenas 828 votos.

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