1930
– A Vitória Liberal
A
Aliança Liberal em
Santa Catarina se estruturou, ante o alijamento da família
Ramos, a partir de 1921, pelos líderes do Partido Republicano Catarinense.
Vidal e Nereu, pai e filho, e o primo Aristiliano, se juntaram ao movimento
que, partindo do Rio Grande do Sul foi ocupando as cidades catarinenses e
substituindo seus prefeitos.
A
revolução empreendida pela Aliança Liberal estourou em Porto Alegre em 3 de
outubro de 1930. Não era para menos. Nas urnas do Rio Grande do Sul Getúlio
Vargas, que perdeu a eleição para a presidência, fez 298.627 votos, contra apenas
972 dados ao candidato republicano Júlio Prestes, naquele Estado.
A
caminhada partiu do Rio Grande rumo a São Paulo. A estratégia adotada previa
que, com a ocupação de todo o sul do Brasil e a adesão de Minas Gerais e
Paraíba, estaria fechado o cerco para invadir o Rio de Janeiro e depor o
Presidente Washington Luís, antes da posse de Júlio Prestes.
Fúlvio
Aducci acabara de assumir o governo catarinense em 28 de setembro, sucedendo
Adolfo Konder, que governara de 1926
a 1930. Ante as ameaças reinantes, nosso Estado foi
transformado em escudo militar protetor para barrar o caminho dos revoltosos
rumo ao Palácio do Catete. Mesmo assim, em 4 de outubro praticamente todo o sul
do Estado estava tomado. Araranguá, Criciúma e Tubarão foram dominados
facilmente e o exército de Porto União tinha aderido ao movimento, partindo
para conquistar Lages, Rio do Sul e Blumenau, cujas ocupações foram consumadas
no dia 5.
Com
a deposição do governo do Paraná em 5 de outubro, a Presidência da República
decretou o estado de sítio no país. Ainda no dia 5, cai Imbituba e no dia 6 é a
vez de Lages. No dia 7 ocorre a rendição de Blumenau e Joinville. Praticamente
todo o planalto, o oeste e o norte (Porto União e Mafra) estão tomados no dia
7.
Nereu
Ramos comandou pessoalmente a ocupação de Rio do Sul no dia 13, de lenço
vermelho no pescoço, quando o general Ptolomeu Assis Brasil, já estava a
caminho com três batalhões para render a capital catarinense.
Em
20 de outubro uma legião comandada por João Porto Magalhães toma a estrada de
Anitápolis e pernoita em Palhoça, acampando nos dias 21 e 22 em São José. No dia 23
os revoltosos já se encontram no Estreito, e na madrugada do dia 25 marcham
para o Palácio do Governo. O Presidente Washington Luís havia sido preso no dia
anterior. Fúlvio Aducci, seu vice José Acácio Moreira, os secretários Ivo de
Aquino e Arthur Ferreira da Costa, o senador Adolfo Konder e o presidente da
Assembléia Legislativa Bulcão Viana, fogem para o exílio.
O
General Ptolomeu Assis Brasil diz-se
governador civil e militar do Estado, mas uma Junta Governativa foi nomeada do
Catete: Acastro Jorge de Campos, Otávio Valgas Neves e Henrique Melquíades
Cavalcanti, e, a exemplo do resto do país, dissolve as Câmaras Municipais e a
Assembléia Legislativa e passa a destituir todos os prefeitos.
A
Junta Governativa nacional dissolveu o Congresso.
Em
25 de Outubro Ptolomeu Assis Brasil, é indicado Interventor Federal de Santa
Catarina, para desagrado de Nereu e Aristiliano, que estavam de olho no cargo e
se imaginavam escolhidos.
Com
a edição do Código Eleitoral, em 24.02.32, que estendeu o direito de votar a
todo cidadão maior de 21 anos, Ptolomeu, descontente com as mudanças do Código,
anunciou sua renúncia pela imprensa em 8 de abril e viajou ao Rio para
apresentá-la oficialmente. A situação só foi definida em 3 de maio, quando
Getúlio apresentou o nome de Lucas
Alexandre Boiteux para a vaga. Inconformado, Ptolomeu volta atrás, pede uma
licença de 3 meses e transfere o cargo para seu Secretário da Fazenda Cândido
Ramos. Em 4 de outubro, o novo Interventor dá um bote nos pretensos candidatos
e traz do Rio o nome de seu sucessor, nada menos que seu irmão Rui Zobaran.
Pela
primeira vez as mulheres conquistam seu direito de votar. O novo Código
Eleitoral excluiu desse direito os analfabetos, os mendigos e os praças,
mantendo-o para os oficiais.
Em
18 de abril de 1933, Aristiliano Ramos finalmente consegue emplacar como Interventor,
governando até 29 de abril de 1935, transferindo o cargo naquela data para
Fontoura Borges do Amaral Mello, que fica na interinidade até 1 º de maio, data
em que Nereu Ramos
assume o governo eleito indiretamente pela Assembléia Constituinte estadual,
dando um golpe definitivo no primo, evento que os conduziu dali em diante por
caminhos opostos.
Com
o Estado Novo, Nereu permaneceu no cargo e foi designado Interventor Federal em
26.11.37, governando até 05.02.46, quando assumiu Udo Deeke.
A
vida democrática do país volta à sua plenitude com as eleições de 1946. Aderbal
Ramos da Silva elege-se o primeiro governador da redemocratização e assume em
26.03.47. José Boabaid é eleito Presidente da Assembléia Legislativa com
mandato de uma Mesa Diretora única, até 1951. As eleições para prefeitos e
vereadores foram realizadas em 23 de novembro. Em São José foi eleito Arnoldo
Souza, do PSDB, com 2.453 dos 3.348 votos apurados. Alvaro Tolentino de Souza,
da UDN, fez apenas 828 votos.
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