terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Memória Política

Carlos Acelino

 

DEVER E RENÚNCIA



        GENTIL SANDIN balançou. Naquela manhã decisiva de sua vida, teria que fazer a opção: eleito pela segunda vez vereador, para um mandato de mais quatro anos, precisava renunciar e assumir o Poder Executivo de São José até 31 de janeiro de 1956. A Câmara Municipal estava reunida para apreciar a carta de renúncia de Silvestre Phillipi, mandada de São Paulo, com data de 13 de dezembro de 1954.
Recebida e lida a carta, como Presidente do Legislativo, Gentil convocou nova sessão da Câmara Municipal para o mesmo dia às 16 horas, quando seria eleito o sucessor. O PSD já havia fechado questão e deliberara que ele devia ir para o sacrifício. Assim sendo, fez a opção pelo seu dever de cidadão. A maioria pessedista da Câmara o elegeu para concluir o mandato e o vice Francisco Goedert assumiu novamente a Presidência. Não houve transmissão de cargo, pois o Prefeito afastado já se encontrava em São Paulo, instalado num hotel. Na sessão que aceitou a renúncia e o elegeu com 5 votos e 1 em branco, a UDN faltou em peso. Os vereadores Mario Pires, Amando Schmitz e Clemente Schappo se ausentaram. Gentil se tornou Prefeito aos 41 anos, com um grande abacaxi para descascar. A Prefeitura estava falida, não tinha crédito para nada e com uma demanda infindável de problemas.
Natural de São José, onde nasceu em 01.12.1913, seu pai, Olímpio, era empregado da hidrelétrica de Salto do Maruim, para onde se mudou, deixando-o na Praia Comprida, aos cuidados da avó Belmira. Olímpio tinha mais dois irmãos, mas foi o único dos filhos de Laurentino Oloff Sandin que se casou. Do tio, João Laurentino Sandin, o vereador herdou o oficio de marceneiro, cujos trabalhos em tornos de madeira eram impecáveis. João Laurentino, apelidado “Caju da Sombra” foi Comissário de Policia nomeado em 1907 e Conselheiro Municipal de 1915 a 1918 e de 1923 a 1926. Do casamento de seu pai com Maria Silveira, Gentil teve apenas mais dois irmãos, um natimorto e Jaime Sandin, funcionário da Colônia Santana, artista plástico, poeta e músico, que hoje mora na Praia Comprida, no mesmo lugar em que ele foi criado pela avó. Quando moço, foi trabalhar com seu tio Adolfo, numa loja de tecidos da Praia Comprida e, dedicava suas horas de folga fazendo belíssimos entalhes no torno herdado do avô Laurentino. O resto do tempo era dedicado a boas leituras.
Aos 28 anos, Gentil Sandin foi nomeado para o cargo de primeiro suplente de Delegado de Policia de São José. Na eleição de 1950 elegeu-se vereador pelo PSD, tendo conseguido a última vaga, com 138 votos, o que não o impediu de tornar-se Presidente da Câmara por quatro vezes. Ao final de seu primeiro mandato, foi novamente eleito vereador, desta vez o mais votado, para um novo mandato que se iniciaria em 01.02.1955. Entretanto, em 28 de dezembro de 1954 teve de renunciar à sua segunda vaga na Câmara para os quatro anos seguintes, para cumprir o restante do mandato do Prefeito Silvestre Phillipi, e governou o município até 31.01.1956, quando entregou o cargo para o novo titular Homero de Miranda Gomes e foi para casa. Em 1960, Gentil tentou eleger-se Prefeito, concorrendo com João Adalgisio Phillipi, da UDN. Perdeu por pouca diferença: fez 2.954 votos contra 3.192 do adversário. Nas complicações pelo uso constante do cigarro foi internado por várias vezes no hospital Nereu Ramos. Gentil Sandin casou-se com Luci Botto Guimarães, natural de Formigas, Minas Gerais e tiveram 3 filhos: Carlos Olímpio, Célio e Neide. Faleceu no hospital em 08.03.1972.



GENTIL SANDIN (o segundo sentado, da esquerda para direita), com os vereadores da terceira legislatura: VIRO STAHELIN, FRANCISCO GOEDERT, MIGUEL SOUZA, AMANDO SCHMITZ, MÁRIO PIRES, WALTER BORGES, CLEMENTE SCHAPPO e o Prefeito SILVESTRE PHILIPPI. (centro)

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