Adeliana
– 26° Mandato
Mulher não votava no Brasil Colonial. Muito
menos durante o Império nem em toda a Velha República. O direito ao voto
feminino somente foi conquistado com Getúlio Vargas, em 1937. Entretanto,
quando foi fundada a vila de São José, e construída a primeira escola, foi chamada
uma mulher para dirigi-la, Eufrasia Xavier Caldeira.
Apesar da maioria da população josefense
historicamente ser sempre feminina, Adeliana Dal Pont é a primeira mulher a se tornar
Prefeita em nossos 263 anos de história. Já em 1833, São José tinha 4.261
mulheres e 4.042 homens.
Até os dias de hoje, a cidade teve 26
mandatos de Prefeito, exercidos por 23 cidadãos ao longo da história. O cargo
de prefeito foi criado com a Constituição Estadual de 1928. Em toda nossa vida política, apenas dois cidadãos estiveram nesse cargo
mais de uma vez. Germano Vieira ocupou o poder por 3 vezes, sendo o único
Prefeito afastado pela Câmara Municipal (1994). Dário Berger, comandou o Executivo
por dois mandatos. No curso de nossa vida política, apenas 3 Prefeitos
renunciaram: Silvestre Phillipi, em 1954, por problemas pessoais, Geci Thives,
1980, para concorrer a Deputado Estadual e Dário Berger, 2004, indo disputar em
Florianópolis, onde foi Prefeito por 8 anos.
Quando Silvestre Phillipi renunciou em 1954,
Gentil Sandin, Presidente da Câmara, assumiu a Prefeitura.
Com a renúncia de Geci Thives, seu vice
Waldir Assis Kretzer também renunciou e a Câmara elegeu Constâncio Krummel
Maciel para o mandato – tampão, com um novo vice, João Vaz.
Embora o povoado de São José da Terra Firme
fosse fundado em março de 1750, só passou a existir como município 83 anos
depois. Em todo o período, a cidade era uma freguesia de Desterro, atual
Florianópolis, na qual seus habitantes participavam da vida política (votavam e
eram votados na Ilha). Em março de 1833, São José foi elevado à Vila
(Município) e criou suas primeiras instituições legais. A primeira Câmara
Municipal, criada em 1º de março e instalada no dia 3, com seus 7 vereadores
foi formada por João Vieira da Rosa, Presidente, que acumulava as funções de
Prefeito, Thomas José da Costa, Silvestre José dos Passos, Luiz Manoel de
Medeiros, João Ignácio Bernardino da Silva, Francisco da Costa Porto e Joaquim
Pedro Teixeira. De 1833 até a Proclamação da República (1889), a função de Prefeito
era exercida pelo Presidente da Câmara. Com uma população de 8.313 habitantes,
a primeira eleição josefense ocorreu em 1834. Com a Proclamação da República, em
1889, foram criados os Conselhos Municipais, substituindo as Câmaras e a
direção do Poder Executivo passou a ser do Superintendente Municipal, cargo
para o qual era eleito e que também acumulava as funções executiva e
legislativa. As novas regras valeram até a Constituição de 1928, quando foi
criado o cargo de Prefeito, separando os dois Poderes. O cargo de Vice-Prefeito
só passou a existir com a Constituição de 1969.
Os únicos Vice-Prefeitos a ocupar a cadeira
do Executivo foram Gervásio Silva, em 1994, pelo afastamento de Germano Vieira,
através da Câmara e Vanildo Macedo, em 2004, com a renúncia de Dário Berger. O
primeiro Prefeito eleito democraticamente em São José, João Machado Pacheco Júnior,
em 1936, ficou no cargo até novembro de 1937, na breve democracia de Getúlio
Vargas. Getúlio convocou eleições gerais em março de 1936 e em novembro de
1937, instalou o Estado Novo, extinguiu as Câmaras Municipais, destituiu
Prefeitos e Governadores e nomeou interventores nos Estados e Municípios. João
Machado foi reconduzindo como interventor e ficou até 1941.
No período do Estado Novo (1930-1945), 4
Prefeitos foram nomeados: João Luiz Buchele Junior, 1930, Gregório Phillipi,
1931, João Machado Pacheco Junior, 1933 e 1937 e Pedro Antonio Mayvorme, 1941.
Com a abertura politica em 1946, Arnoldo Souza foi eleito pelas urnas. Com
problemas de saúde, por várias vezes afastou-se do cargo, que foi ocupado pelo
Presidente da Câmara, Virgilino Ferreira de Souza.
Na política de outrora, quando os Presidentes
do Legislativo mandavam no município o Coronel Luiz Ferreira do Nascimento e
Melo foi recordista, permanecendo no cargo por 7 vezes, seguido do João Luiz
Ferreira de Melo, que teve 4 mandatos.
O primeiro Presidente do Legislativo João
Vieira da Rosa exerceu por 2 vezes essas funções. Todos acumulavam a
Presidência da Câmara e a chefia do Poder Executivo à exceção de Francisco Adão
Schmidt, que com o advento da República foi eleito Superintendente Municipal e
permaneceu no Poder por 2 mandatos.
Ao longo de nossa história apenas 3 mulheres
tentaram a eleição para Prefeita: Marli Marçal em 1992, perdeu a eleição para
Germano Vieira por 285 votos. Esther Macedo tentou contra Dário Berger em 2004,
fazendo inexpressiva votação. Adeliana se lançou em 2008, ficando em segundo
lugar dentre os 5 candidatos e no ano passado surpreendeu a todos com mais de
60% dos votos. Seu desafio será reescrever a história do município cuja elite
política predominantemente machista desde a chegada dos açorianos sempre vetou mulheres
no poder. Dos 23 prefeitos josefenses 8 continuam vivos: Cândido Amaro Damásio,
Constâncio Krummel Maciel, João Adalgísio Phillippi, Gervásio Silva, Vanildo
Macedo, Dário e Djalma Berger e Fernando Melquíades Elias. E Adeliana, lógico,
na sua juventude, com tamanho compromisso e responsabilidade. Seu êxito
dependerá da habilidade em compartilhar o Poder com o Parlamento.
Algo que os dois últimos gestores não
souberam conduzir, e o reflexo foi tácito nas urnas.
Silvestre Philippi - 8° mandato (Terceiro sentado): sua renúncia é
mistério.
A carta de renúncia parece a Carta Testamento de Getúlio Vargas,


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