quarta-feira, 23 de abril de 2014

Memória Política

Carlos Acelino 



Tiradentes e Tancredo

Heróis da Resistência, eles sonharam com um Brasil melhor”.


   Ambos eram mineiros da cidade de São João Del Rey e morreram em 21 de abril. O primeiro, Joaquim José da Silva Xavier, militar do Império Colonial português, no posto de alferes (hoje 2⁰ tenente), assumiu para si toda a culpa pela Inconfidência Mineira, 1792. Quando a Inglaterra mandava no mundo com suas dezenas de colônias, os ventos democráticos da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” varreram toda a Europa (abolição da escravatura nas colônias da Inglaterra, 1807, e da França, de 1894 a 1902, Declaração de Independência das 13 Colônias do Continente Americano, formando os Estados Unidos da América, 1776, Independência do Haiti em 1791).


No Brasil, a Inconfidência Mineira, iniciada com 24 cidadãos, 8 dos quais tiveram seus estudos na Europa, deu o ponta pé inicial para a Independência, 1822 e, cem anos após, a República. O movimento, delatado pelos portugueses Joaquim Silvério dos Reis, Basílio Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona culminou com a condenação de 11 membros à forca e ao degredo na África. Em 18 de abril saiu a sentença e só Tiradentes pagou o pato. 


Defensor ferrenho do movimento Tiradentes dizia que: “a Europa é como uma esponja que chupa toda a substância do Brasil e os Generais de 3 em 3 anos traziam para cá uma quadrilha ... que depois de comerem a honra, a fazenda e os ofícios que deviam ser dos habitantes se iam rindo deles para Portugal”.


Assumiu para si responsabilidade muito maior que sua participação no movimento e foi enforcado e esquartejado, as partes de seu corpo dispersas em quatro locais de Minas e a cabeça exposta na praça central de Vila Rica, lá deixados até que o tempo os consumisse (trecho da sentença). Sua casa foi incendiada e o terreno salgado. Tancredo de Almeida Neves foi a esperança de um novo Brasil após 21 anos de ditadura. Eleito pelo Congresso Nacional, seria o primeiro presidente civil a assumir a Presidência após o golpe, de 1964, o que nunca aconteceu, internado que foi às vésperas da posse com fortes dores no estômago, em razão de um tumor, apelidado de diverticulite por uma junta médica que não queria assustar a nação. Agonizou no Hospital de Base de Brasília e no Instituto do Coração em São Paulo por 38 dias, foi submetido a sete cirurgias e não venceu a luta contra a infeção que o vitimou às 22,20 horas de 21 de abril de 1985. A nação emocionada acompanhou tudo pelos jornais e TVs, os laudos médicos nas entrelinhas e a vã tentativa de ressuscitá-lo em várias crises respiratórios e cardíacas, uma comoção só comparada ao suicídio do Presidente Getúlio Vargas em agosto de 1954. Eu tinha a “idade de Cristo” quando Tancredo foi eleito com 480 votos do Congresso. Sete dias antes de eu completar 33 anos, 15 de janeiro de 1985, Tancredo, MDB, se elegeu Presidente contra Paulo Maluf, PDS, representante dos militares, que recebeu apenas 180 sufrágios. Para o intento, Tancredo costurou uma aliança com José Sarney, PDS, de vice, outro político seriamente comprometido com a ditadura. A oposição jogou com as cartas do governo, tendo sido antes derrotada no Congresso no movimento “Diretas Já”, (Emenda Dante de Oliveira) e, fez o jogo da eleição indireta, única forma de chegar ao Poder. Para tanto, dividiu os votos do Colégio Eleitoral, formando uma chapa com Sarney político da direita. Tancredo foi repórter policial, advogado, Promotor Público de sua cidade natal, Vereador, Presidente da Câmara, Deputado Federal mais votado em 1945, novamente Deputado Federal em 1950, e Ministro da Justiça de Getúlio Vargas. Lançou o mineiro Juscelino Kubitschek à Presidência e se tornou Diretor e Presidente do Banco do Brasil e do BNDE. Em 1958, tornou-se Secretário de Finanças de Minas e na eleição de 1960, perdeu a vaga de Governador para Magalhães Pinto. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, articulou a posse do vice João Goulart na Presidência, num regime parlamentarista imposto pelos militares, do qual se tornou Primeiro Ministro. Eleito Deputado Federal em 1962, foi reeleito em 1966, 1970 e 1974. Em 1978, tornou-se Senador e foi eleito Governador em 1979, na primeira eleição direta nos Estados após o Regime Militar. O 21 de abril, véspera do descobrimento é data histórica da luta pela democracia.








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