Tiradentes
e Tancredo
“Heróis
da Resistência, eles sonharam com um Brasil melhor”.
Ambos eram mineiros da cidade de
São João Del Rey e morreram em 21 de abril. O primeiro, Joaquim José da Silva
Xavier, militar do Império Colonial português, no posto de alferes (hoje 2⁰ tenente), assumiu para si toda a culpa pela Inconfidência
Mineira, 1792. Quando a Inglaterra mandava no mundo com suas dezenas de
colônias, os ventos democráticos da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”
varreram toda a Europa (abolição da escravatura nas colônias da Inglaterra,
1807, e da França, de 1894 a 1902, Declaração de Independência das 13 Colônias
do Continente Americano, formando os Estados Unidos da América, 1776, Independência
do Haiti em 1791).
No Brasil, a Inconfidência
Mineira, iniciada com 24 cidadãos, 8 dos quais tiveram seus estudos na Europa,
deu o ponta pé inicial para a Independência, 1822 e, cem anos após, a
República. O movimento, delatado pelos portugueses Joaquim Silvério dos Reis,
Basílio Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona culminou com a condenação de
11 membros à forca e ao degredo na África. Em 18 de abril saiu a sentença e só
Tiradentes pagou o pato.
Defensor ferrenho do movimento
Tiradentes dizia que: “a Europa é como uma esponja que chupa toda a substância
do Brasil e os Generais de 3 em 3 anos traziam para cá uma quadrilha ... que
depois de comerem a honra, a fazenda e os ofícios que deviam ser dos habitantes
se iam rindo deles para Portugal”.
Assumiu para si responsabilidade
muito maior que sua participação no movimento e foi enforcado e esquartejado,
as partes de seu corpo dispersas em quatro locais de Minas e a cabeça exposta
na praça central de Vila Rica, lá deixados até que o tempo os consumisse (trecho
da sentença). Sua casa foi incendiada e o terreno salgado. Tancredo de Almeida
Neves foi a esperança de um novo Brasil após 21 anos de ditadura. Eleito pelo Congresso
Nacional, seria o primeiro presidente civil a assumir a Presidência após o
golpe, de 1964, o que nunca aconteceu, internado que foi às vésperas da posse
com fortes dores no estômago, em razão de um tumor, apelidado de diverticulite
por uma junta médica que não queria assustar a nação. Agonizou no Hospital de
Base de Brasília e no Instituto do Coração em São Paulo por 38 dias, foi
submetido a sete cirurgias e não venceu a luta contra a infeção que o vitimou às
22,20 horas de 21 de abril de 1985. A nação emocionada acompanhou tudo pelos
jornais e TVs, os laudos médicos nas entrelinhas e a vã tentativa de ressuscitá-lo
em várias crises respiratórios e cardíacas, uma comoção só comparada ao suicídio
do Presidente Getúlio Vargas em agosto de 1954. Eu tinha a “idade de Cristo”
quando Tancredo foi eleito com 480 votos do Congresso. Sete dias antes de eu
completar 33 anos, 15 de janeiro de 1985, Tancredo, MDB, se elegeu Presidente
contra Paulo Maluf, PDS, representante dos militares, que recebeu apenas 180
sufrágios. Para o intento, Tancredo costurou uma aliança com José Sarney, PDS,
de vice, outro político seriamente comprometido com a ditadura. A oposição
jogou com as cartas do governo, tendo sido antes derrotada no Congresso no
movimento “Diretas Já”, (Emenda Dante de Oliveira) e, fez o jogo da eleição
indireta, única forma de chegar ao Poder. Para tanto, dividiu os votos do
Colégio Eleitoral, formando uma chapa com Sarney político da direita. Tancredo
foi repórter policial, advogado, Promotor Público de sua cidade natal, Vereador,
Presidente da Câmara, Deputado Federal mais votado em 1945, novamente Deputado
Federal em 1950, e Ministro da Justiça de Getúlio Vargas. Lançou o mineiro
Juscelino Kubitschek à Presidência e se tornou Diretor e Presidente do Banco do
Brasil e do BNDE. Em 1958, tornou-se Secretário de Finanças de Minas e na
eleição de 1960, perdeu a vaga de Governador para Magalhães Pinto. Com a renúncia de Jânio Quadros em 1961, articulou a posse do vice João
Goulart na Presidência, num regime parlamentarista imposto pelos militares, do
qual se tornou Primeiro Ministro. Eleito Deputado Federal em 1962, foi reeleito
em 1966, 1970 e 1974. Em 1978, tornou-se Senador e foi eleito Governador em
1979, na primeira eleição direta nos Estados após o Regime Militar. O 21 de
abril, véspera do descobrimento é data histórica da luta pela democracia.


Nenhum comentário:
Postar um comentário