Carlos Acelino
O sósia de Irineu Bornhausen
Nos anos 50, o governador
udenista Irineu Bornhausen, visitou o Município São José e ficou surpreso ao
conhecer Mário Vieira da Rosa, seu sósia perfeito, tamanha a semelhança.
Estupefato ficou mais ainda ao constatar, que aquele cidadão, além da semelhança
física, tinha a sua idade e havia nascido no mesmo dia de seu natalício. Mas,
como ninguém é perfeito, o sósia de Irineu tinha um grande defeito. Era do PSD.
Nascido no coração da cidade, em
25/03/1896, Mário era filho de Francisco Vieira da Rosa e Amélia dos Santos
Rosa, neto paterno de Manoel Joaquim da Rosa, vereador de 1887 a 1890, e de
Francisca Vieira da Rosa, que era filha de Jacó Vieira da Rosa, vereador em
1837 – 1838, e 1849 – 1852, e materno de Joaquim Maximiano dos Santos, também
vereador por duas vezes, de 1865 a 1872. De família josefense tradicional,
tinha 9 irmãos: Fúlvio, que foi também vereador em São José, Ariston, Alice,
Cecília Rosa Lopes - nome de Colégio em Forquilhinha - , América, Lacínia,
Colatina, Osni Francisco e um irmão que morreu pequenino. De estatura franzina,
cabelos pretos, bem corado, descendente de alemães por parte de sua mãe Amélia,
quando moço trabalhou por uns tempos na madeireira Fonseca E Cia., de Ponta
Grossa, Paraná. Retornou a São José, e com as economias que juntara, abriu uma
pequena venda na Praia Comprida. O negócio se expandiu, tornando-se um grande
armazém, com boa freguesia, no qual trabalhou por mais de 40 anos. Casou-se,
aos 29 anos, em 17/12/1925, com Esther Domingues, filha de Antônio Joaquim
Domingues e Maria Luiza Fontes Domingues. Sua formação escolar foi desenvolvida
na escola de Dona Ana Schneider (Dona Nininha), até a 4 ª série do curso
primário. Residiu até a morte, na Praia Comprida, onde faleceu em casa, no dia
20/09/1982. No armazém, Antônio Machado trabalhou por muitos anos nas funções
de caixeiro. Do casamento, teve cinco filhas: Maria Esther, Ruth, Nilda, Neide
e Maria Laura. Tinha paixão pela política, pessedista fanático. Foi membro do
Conselho Consultivo de São José, de 1933 a 1936. Tornou-se vereador aos 40
anos, na eleição de 01.03.36, pelo partido liberal catarinense, tendo legislado
até novembro de 1937, quando Getúlio mandou fechar todas as câmaras municipais.
Na sessão de instalação da Câmara Municipal de São José em 30/04/36, presidida
pelo Juiz Eleitoral, Mário de Carvalho Rocha, foi eleito Vice-Presidente da
primeira mesa diretora da Câmara Municipal de São José.
De religião católica não praticante, com a
chegada, em 1948, dos padres capuchinhos, que fizeram as missões em São José,
tornou-se católico fervoroso e freqüentador da igreja. As filhas fizeram até
uma festinha, para comemorar a chamada “conversão” do pai, como se fosse sua
primeira comunhão, sacramento do qual ele nem lembrava que existisse. Na sala
da casa, promoveram um café com três bolos denominados fé, esperança e
caridade. Um bolo em forma de cruz, outro em forma de âncora e um terceiro em
forma de coração.
Apesar do temperamento expansivo, um pouco
nervoso, era um pai dedicado, calmo, orientador e amigo, objeto de grande
admiração das filhas, o oposto da esposa, de índole autoritária e postura
rigorosa e exigente. Como os opostos se atraem, vivia em grande harmonia com a
companheira. Fomentou os estudos das filhas, formou todas as cinco normalistas
no Colégio Coração de Jesus. Para sua época tinha uma visão mais avançada a
respeito da mulher, de que ela deveria estudar, formar-se e conquistar espaço
no mercado de trabalho, numa sociedade em que a mulher ainda devia ser
orientada para os trabalhos de mãe e esposa. Faleceu dois anos antes da morte
da esposa, vítima de derrame, quando já estava aposentado por muitos anos. Era
leitor habitual do jornal O Estado, não perdia a coluna de Rubens de Arruda
Ramos e costumava sempre ouvir a Voz do Brasil. Sua casa era muito freqüentada
por políticos da época, os prefeitos João Machado Pacheco Júnior e Arnoldo
Souza, os políticos que eram médicos na Colônia Santana e Santa Tereza, como
Agripa de Castro Farias, Tolentino de Carvalho, diretor da Colônia Santa Tereza
por muitos anos, casado com a irmã de Aderbal Ramos da Silva, Dr. Alfredo
Cherem, médico que passava pelo armazém para comprar as bananas selecionadas
vindas de Picadas. Nas eleições ele já fornecia às filhas os envelopes com os
nomes dos candidatos da família.
Era considerado um Santo Antônio
casamenteiro, adorado pelas cinco filhas. Preocupava-se com o casamento delas,
de olho na descendência, talvez porque possuísse três irmãs solteironas. Homem
de grande coração e muito sentimental, chorava a cada nascimento de um neto. As
filhas Nilda e Maria Esther estudaram no colégio Francisco Tolentino na praça
de São José, fundado em 1926, e mais tarde lecionaram no mesmo. Mário e a filha
Esther foram testemunhas de casamento de Antônio Machado, o Machadinho, em
Picadas.
Mário Vieira da Rosa era um cidadão
trabalhador, honesto, responsável, dinâmico, próspero, sensível, religioso,
cumpridor de seus deveres, um padrão de valores morais. Valorizava o papel da
mulher na sociedade, incentivando o estudo, para que cada filha descobrisse sua
vocação, seguisse o próprio caminho e ocupasse seu espaço. Acompanhava-as
sempre aos bailes do clube 1º de Junho. Sua prole desenvolveu-se resultando em
25 netos, 38 bisnetos e 2 trinetos.
Seu nome consta de uma servidão
na Praia Comprida, atrás da casa onde residia.
MÁRIO VIEIRA DA ROSA,
aos 35 anos, a esposa Esther e as filhas Maria Esther, Nilda e Ruth
MÁRIO VIEIRA DA ROSA,
aos 60 anos com a esposa, filhas, genros e netos
MARIO VIEIRA DA ROSA,
com a esposa Esther, e as filhas – Maria Esther, Rute, Nilda, Neide e Maria
Laura



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