quinta-feira, 21 de junho de 2012

MEMÓRIA POLÍTICA


Carlos Acelino

O sósia de Irineu Bornhausen

 

       Nos anos 50, o governador udenista Irineu Bornhausen, visitou o Município São José e ficou surpreso ao conhecer Mário Vieira da Rosa, seu sósia perfeito, tamanha a semelhança. Estupefato ficou mais ainda ao constatar, que aquele cidadão, além da semelhança física, tinha a sua idade e havia nascido no mesmo dia de seu natalício. Mas, como ninguém é perfeito, o sósia de Irineu tinha um grande defeito. Era do PSD.
       Nascido no coração da cidade, em 25/03/1896, Mário era filho de Francisco Vieira da Rosa e Amélia dos Santos Rosa, neto paterno de Manoel Joaquim da Rosa, vereador de 1887 a 1890, e de Francisca Vieira da Rosa, que era filha de Jacó Vieira da Rosa, vereador em 1837 – 1838, e 1849 – 1852, e materno de Joaquim Maximiano dos Santos, também vereador por duas vezes, de 1865 a 1872. De família josefense tradicional, tinha 9 irmãos: Fúlvio, que foi também vereador em São José, Ariston, Alice, Cecília Rosa Lopes - nome de Colégio em Forquilhinha - , América, Lacínia, Colatina, Osni Francisco e um irmão que morreu pequenino. De estatura franzina, cabelos pretos, bem corado, descendente de alemães por parte de sua mãe Amélia, quando moço trabalhou por uns tempos na madeireira Fonseca E Cia., de Ponta Grossa, Paraná. Retornou a São José, e com as economias que juntara, abriu uma pequena venda na Praia Comprida. O negócio se expandiu, tornando-se um grande armazém, com boa freguesia, no qual trabalhou por mais de 40 anos. Casou-se, aos 29 anos, em 17/12/1925, com Esther Domingues, filha de Antônio Joaquim Domingues e Maria Luiza Fontes Domingues. Sua formação escolar foi desenvolvida na escola de Dona Ana Schneider (Dona Nininha), até a 4 ª série do curso primário. Residiu até a morte, na Praia Comprida, onde faleceu em casa, no dia 20/09/1982. No armazém, Antônio Machado trabalhou por muitos anos nas funções de caixeiro. Do casamento, teve cinco filhas: Maria Esther, Ruth, Nilda, Neide e Maria Laura. Tinha paixão pela política, pessedista fanático. Foi membro do Conselho Consultivo de São José, de 1933 a 1936. Tornou-se vereador aos 40 anos, na eleição de 01.03.36, pelo partido liberal catarinense, tendo legislado até novembro de 1937, quando Getúlio mandou fechar todas as câmaras municipais. Na sessão de instalação da Câmara Municipal de São José em 30/04/36, presidida pelo Juiz Eleitoral, Mário de Carvalho Rocha, foi eleito Vice-Presidente da primeira mesa diretora da Câmara Municipal de São José.
        De religião católica não praticante, com a chegada, em 1948, dos padres capuchinhos, que fizeram as missões em São José, tornou-se católico fervoroso e freqüentador da igreja. As filhas fizeram até uma festinha, para comemorar a chamada “conversão” do pai, como se fosse sua primeira comunhão, sacramento do qual ele nem lembrava que existisse. Na sala da casa, promoveram um café com três bolos denominados fé, esperança e caridade. Um bolo em forma de cruz, outro em forma de âncora e um terceiro em forma de coração.
       Apesar do temperamento expansivo, um pouco nervoso, era um pai dedicado, calmo, orientador e amigo, objeto de grande admiração das filhas, o oposto da esposa, de índole autoritária e postura rigorosa e exigente. Como os opostos se atraem, vivia em grande harmonia com a companheira. Fomentou os estudos das filhas, formou todas as cinco normalistas no Colégio Coração de Jesus. Para sua época tinha uma visão mais avançada a respeito da mulher, de que ela deveria estudar, formar-se e conquistar espaço no mercado de trabalho, numa sociedade em que a mulher ainda devia ser orientada para os trabalhos de mãe e esposa. Faleceu dois anos antes da morte da esposa, vítima de derrame, quando já estava aposentado por muitos anos. Era leitor habitual do jornal O Estado, não perdia a coluna de Rubens de Arruda Ramos e costumava sempre ouvir a Voz do Brasil. Sua casa era muito freqüentada por políticos da época, os prefeitos João Machado Pacheco Júnior e Arnoldo Souza, os políticos que eram médicos na Colônia Santana e Santa Tereza, como Agripa de Castro Farias, Tolentino de Carvalho, diretor da Colônia Santa Tereza por muitos anos, casado com a irmã de Aderbal Ramos da Silva, Dr. Alfredo Cherem, médico que passava pelo armazém para comprar as bananas selecionadas vindas de Picadas. Nas eleições ele já fornecia às filhas os envelopes com os nomes dos candidatos da família.
   Era considerado um Santo Antônio casamenteiro, adorado pelas cinco filhas. Preocupava-se com o casamento delas, de olho na descendência, talvez porque possuísse três irmãs solteironas. Homem de grande coração e muito sentimental, chorava a cada nascimento de um neto. As filhas Nilda e Maria Esther estudaram no colégio Francisco Tolentino na praça de São José, fundado em 1926, e mais tarde lecionaram no mesmo. Mário e a filha Esther foram testemunhas de casamento de Antônio Machado, o Machadinho, em Picadas.
   Mário Vieira da Rosa era um cidadão trabalhador, honesto, responsável, dinâmico, próspero, sensível, religioso, cumpridor de seus deveres, um padrão de valores morais. Valorizava o papel da mulher na sociedade, incentivando o estudo, para que cada filha descobrisse sua vocação, seguisse o próprio caminho e ocupasse seu espaço. Acompanhava-as sempre aos bailes do clube 1º de Junho. Sua prole desenvolveu-se resultando em 25 netos, 38 bisnetos e 2 trinetos.
      Seu nome consta de uma servidão na Praia Comprida, atrás da casa onde residia.

MÁRIO VIEIRA DA ROSA, aos 35 anos, a esposa Esther e as filhas Maria Esther, Nilda e Ruth

MÁRIO VIEIRA DA ROSA, aos 60 anos com a esposa, filhas, genros e netos

MARIO VIEIRA DA ROSA, com a esposa Esther, e as filhas – Maria Esther, Rute, Nilda, Neide e Maria Laura


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