segunda-feira, 25 de junho de 2012


A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

     Num passado não muito distante, éramos todos do PFL. Ajudamos a eleger Dr. Jorge para o Senado e Paulinho para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Em 2000, batemos o recorde fazendo a maior bancada de vereadores do PFL estadual, com Dário, Prefeito pela segunda vez, 73.836 votos, dos 106.723 apurados. Em 1988, o partido elegeu 6 vereadores. Em 1992, a bancada somou 8, dos quais os 6 primeiros mais votados. Em 1996 diplomamos 6, aumentando esse número para 8 em 2000. Portanto, o PFL josefense elegeu prefeitos Diocéles em 1988, 13.321 votos, Germano, em 1992, 17.176 votos e Dário em 1996 e 2000, com 32.972 votos e 73.836 votos respectivamente. Germano Vieira foi Deputado Estadual em 1990. Com a nossa boa ajuda, muitos pefelistas conquistaram mandatos para a Assembleia e a Câmara dos Deputados: César Souza, Onofre, Djalma, César Júnior. Com tantos predicados, o Município nunca foi lembrado. Basta procurar quantas vezes emplacamos um Secretário de Estado ou logramos um investimento expressivo do Governo do Estado na cidade. Ou seja, somos lembrados apenas na hora das eleições, quando os donos do partido, do lado de lá da ponte, ditam as regras e atendemos de cabresto. Meu primeiro mandato pelo PFL foi em 1996, me reelegendo pela mesma sigla em 2000. Por vários anos fui Secretário do Partido no Município.
Certa vez assaltaram o prédio da FEAP em Barreiros. Das nove máquinas de costura, roubaram cinco e as demais que não conseguiram levar jogaram lá de cima. Mandei ofício para o Paulinho, pedindo que me ajudasse a reparar o dano. Seu atendimento foi um simples ofício ao Prefeito Dário para que ele me desse as máquinas.
Inconformados, ao constatarmos que Dário Berger, de dois governos vitoriosos, tinha chances de voar mais alto, queríamos que ele participasse do Diretório Estadual, na Presidência do Partido, o que lhe foi prometido de pronto. Fomos todos em caravana à Assembleia Legislativa para assistir a rasteira no nosso líder maior, engendrada pelos notáveis da sigla. O acordo prévio levaria Dário à Vice-Presidência de Raimundo Colombo. Da mesa dos trabalhos Konder Reis e Jorge Bornhausen ditavam as regras e definiam quem iria alçar voo, ou seja, Raimundo Colombo, Presidente Estadual e Dário apenas como vogal na chapa, prêmio de consolação. Montamos então um projeto vencedor, para a cidade, quando migramos todos para o PSDB, e indicamos Dário para concorrer à Prefeitura da Capital. Em São José, queríamos tornar um vereador Prefeito.
Com a criação do novo PSDB josefense a bancada em peso veio junto. Apenas Gervásio e Adeliana não aderiram, permanecendo no PFL. Elegemos Dário na Capital e Fernando Elias em São José.
Fernando iniciou seu governo com 7 dos 12 vereadores da Câmara e terminou seu mandato com apenas 2, brigou com o Parlamento, dispersou os amigos, destituiu por dezenas de vezes seus colaboradores em mural, e seu projeto pessoal foi para o saco. Em 2008, Gegê, já no PSDB, interviu no Diretório legalizado e formou uma Comissão Provisória de parentes e puxa-sacos, de Fernando, tornando-o novamente candidato contra todas as perspectivas. Pretendíamos indicar Natal ou Gervásio para a disputa, pois, sua reeleição seria um fiasco eleitoral. Não deu outra, ficou em quarto colocado. Para a Câmara, fizemos três vagas das treze cadeiras: Eu, Alini Castro e Méri Hang, que neste ano retornou aos antigos mandantes e vai apoiar Adeliana. De lá para cá o Partido ficou na capa da gaita.
Agora, para a eleição de 2012, o PSD, antigo PFL, quer novamente dar as cartas em São José. Nomearam Natal Secretário relâmpago e costuraram, com a ajuda de Gegê, um acordo lá no Palácio, para que nosso Partido seja vice na chapa de Adeliana. Adeliana esteve muito tempo na Diretoria da CASAN e o esgoto de São José continua jurássico.
Eles são feras em mexer no tabuleiro. Se Adeliana ganhar a eleição, com a ajudinha dos que nunca pensaram na cidade, a antiga elite pefelista na nova roupagem de PSD, certamente vai mandar de novo em São José, por 4 ou 8 anos e novamente tratar o município a pão e água. Eles sempre tiveram razão quando falavam que aqui é uma cidade dormitório da capital, cujos destinos devem ser traçados do outro lado da ponte, com a conivência de meia dúzia que só pensa em si e manda o interesse coletivo do cidadão josefense às favas. Faltando dez dias para a convenção Natal com a assinatura de Leonel Pavan, interviu na Comissão Provisória de São José, destituindo Carlos Acelino, Alini Castro, Romeu Erckmann, Eliane Santos Pereira, Valdenir Hilleshein, Márcio Pacheco e Ângela Maria Nunes, esqueceu, porém, que o Art. 96, do Estatuto garante voto dos dois vereadores sacados na Convenção.
Portanto, senhores convencionais do PSDB, ainda dá tempo de decidir: ou voltam a formar um grande partido com grandes projetos, ou sepultam a sigla, levando-a a reboque de quem não quer um PSDB forte e atuante no Município.

Carlos Acelino
Vereador – Pré-Candidato na Convenção do PSDB a Prefeito – 26.06.2012

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