Cérebro Eletrônico
Para um homem que cursara apenas o 4° ano do primário, Mário Coelho Pires era uma revelação. Autodidata, dominava qualquer área de conhecimentos gerais, história e geografia. Na matemática era um gênio. Em frações de segundos, contava e acertava o total de grandes quantidades, amontoadas ou dispersas. Tinha uma memória prodigiosa, raciocínio rápido e imediato. Sua habilidade com números causava espanto. O cientista Amaro Seixas Neto, seu amigo de todos os sábados, certa vez indagou-lhe: - quantos pisos tem a calçada em que pisamos?. Ele se colocou de pé na primeira peça e deu a soma exata, de pronto. Sua capacidade de leitura dinâmica e de memorizar tudo o que lia era objeto de admiração. Dominava o dicionário e escrevia em poesia e prosa. Fumante inveterado, dedicou toda uma vida à leitura e ao conhecimento. Homem simples, nascido em Florianópolis, era o 17° dos vinte filhos do Coronel Frontino Coelho Pires, chefe da Guarda Imperial de Desterro e futuro Coletor Estadual de São José. A mãe natural de Catuíra, Alfredo Wagner era filha de rico fazendeiro de Lages e matriarca de personalidade forte que imprimiu aos filhos rígida formação. Mário nasceu no inicio do século XX (17/07/1902) em Florianópolis e, quando menino foi morar com a família em Imaruí de Laguna. Mais tarde, seu pai mudou-se para São José. Pela facilidade de efetuar somas, tornou-se guarda-livros (contador) dos armazéns e lojas da região, atividade que só pagava a subsistência da família. Só conseguiu construir uma casa na rua Dr. Homero, aos 60 anos. Sempre morou em casas alugadas, uma delas, a parte superior do solar dos Neves, onde fundou a UDN em 1946, com Wanderley Junior, Albertina Krummel, Paulino Pedro Hermes, Roque e Dante Filomeno e mais 59 companheiros. Casou-se com Erotides dos Santos, neta de Joaquim Maximiano dos Santos, Deputado Provincial (1886/1887) como suplente convocado; Vereador (1869 – 1873), Juiz de Paz e 1° suplente de Juiz de Direito de São José. Católico não praticante, guardava os sábados, em respeito à sua esposa, que era adventista do 7° dia, freqüentadora da escola sabatina e dos cultos semanais. Ainda jovem, adorava pescar na Baía de Guararema, com Walter Borges e o Filho Mário. Do casamento com Erotides teve os descendentes Edio, Mário, Edia e Levy. O filho Edio casou com Maria Celina de Souza, filha do Vereador José Ferreira de Souza (1963/1967), e neta de Virgilino Ferreira de Souza, Vereador, Presidente da Câmara e Prefeito. Na primeira eleição após o Estado Novo (1947) Mário fez apenas 140 votos, e ficou na segunda suplência. A UDN elegeu apenas dois vereadores, Amando Schmitz e Sergio Carlino de Assunção. Nas legislaturas seguintes (eleição de 1950 e 1954) foi eleito, perdendo em 1958, mas assumiu na vaga de Antonio Benedito Kirchner, que renunciou. Em 1962 novamente foi eleito e se tornou Presidente da Câmara por 3 mandatos (1964 a 1967). Mário foi funcionário da prefeitura e sagrou-se vereador pela primeira vez com 49 anos. No Governo Irineu Bornhausen, foi Diretor Administrativo do Hospital Colônia Santana. Na tribuna Pires era atuante, articulado e grande orador. Participava ativamente dos trabalhos da Câmara, pedia vistas, argumentava, contradizia, era o “Battisti” de sua época. Foi um cidadão de bem, muito respeitado por seus pares e por toda a sociedade. Enfim, um homem humilde, culto e inteligente, que muito fez por São José, onde faleceu com 82 anos, no dia 18.02.1984.
Meu Bisavô! Muito legal!
ResponderExcluirCoisas que eu não sabia e outras que meu vô (Mario) contava e eu não acreditava (a parte do cérebro eletrônico rsrs).
Infelizmente não o conheci. Conheci somente minha bisa, Erotides.
Parabéns pelo post!
Abraço.
Ah... e faltou mais um filho: Frontino, o filho mais velho. ;)
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