Memória Curta
Vereadores do Império – São José
Embora a cidade de São José tenha
263 anos, sua elevação à categoria de município deu-se apenas há 180, em 1833.
Negligência, descaso, desinteresse e má fé sumiram com todo o acervo histórico
da cidade desde a fundação até 1930.
Não se acha em qualquer lugar um
registro sequer sobre a atuação dos nossos governantes, e a história política
só existe nos registros de quem no passado teve acesso a tais informações e as
anotou.
Informações não oficiais alegam
que certo Secretário de Educação da Gestão 1989/92 levou consigo a documentação
histórica da cidade, sob a absurda alegação de que lá ela estaria bem guardada.
Há uns quinze anos atrás, alguém tentou vender ao então Procurador do
Município, a carta original de renúncia do Prefeito Silvetre Philippi, de 1954.
Seria cômico se não fosse séro.
Nada foi preservado e por pouco não tivemos mais um descalabro. As várias
mudanças de sede da Câmara Municipal destruíram muita documentação da fase 1930
– 2013.
Não se tem registro de onde foram
iniciados os primeiros trabalhos da Câmara Municipal. Sabemos que em 1854, ela
foi instalada na Casa de Câmara e Cadeia, Praça Hercílio Luz, hoje Casa da
Cultura. Alterações na legislalação mudaram o nome do Poder Legislativo por
diversas vezes. A partir da Proclamação da República, 1889, ele passou a
chamar-se Conselho de Intendência Municipal. Em 1893 e 1894 denominou-se Câmara
de Vereadores e por quatro meses ao final de 1894, novamente Conselho de
Intendência Municipal, para, em seguida, Conselho Municipal que perdurou até
1930. De 1931 a 1936, foi chamada de Conselho Consultivo e do ano seguinte até
1947, Câmara de Vereadores. Após 1947 foi novamente denominada Câmara
Municipal. Em 1972 a Câmara foi instalada em Salão do Tribunal do Juri, na nova
Prefeitura, Praça Arnoldo Souza, hoje sede definitiva. Foi transferida nos anos
80 para Campinas e na década de 90 para a Casa da Praça Hercílio Luz, atual
Fundação Municipal de Cultura. Testemunhas contam que nesse local boa parte da
documentação foi para o lixo, após se deteriorar em local úmido e insalubre.
Possivelmente em cada uma dessas mudanças um pedaço da história política
josefense se evaporou. A Secretária Elenita Koerich está a meses tentando
resgatar um pelourinho de São José que foi parar na Prefeitura de Laguna
durante o Governo Candinho. Mais de mil fitas de áudio das sessões legislativas
realizadas até o ano 2000, por pouco não tiveram destino incerto, se uma mão
consciente não manifestasse interesse em resgata-lás e guarda-lás. Estão na
Câmara para a conversão em CD e muitas delas deterioradas. O atual Presidente
foi avisado desse acervo em Janeiro mas até agora as fitas continuam empilhadas
em caixas para recuperação.
Os registros sumiram mas alguém
teve o cuidado de anotar. Pelo pouco que sabemos no período 1833/90, São José
teve 17 legislaturas, 11 delas de quatro anos e seis legislaturas de dois anos,
num total de 101 vereadores. As únicas fontes disponíveis de informações são os
excelentes livros “São José da Terra Firme” de Gilberto Gerlach e Osni Machado
e o “Dicionário Político Josefense” de Osni Machado. A nominata completa dos
Vereadores do Império publicaremos na próxima edição desse Semanário.
Francisco da Silva
Ramos Júnior – Vereador (4 mandatos),
Deputado Estadual
suplente (1884/85), e eleito (1888/89)
Foi também
Conselheiro Municipal (Vereador) por Florianópolis.
Francisco Tolentino
Vieira de Souza – Vereador por 2 mandatos,
Deputado Estadual (3)
e Federal (5 mandatos).
Faleceu em
14.02.1904, no decorrer do último mandato de Deputado Federal.



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