sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Memória Política

Carlos Acelino   



Décima Sexta Legislatura

A Sucessão de Dário (II) – Candidato instável, pretendente insistente e Convenção malograda


       As eleições de São José em 2004 foram marcadas por grandes disputas. A primeira delas foi a luta travada a nível nacional, entre o Ministério Público e a classe política, que resultou na diminuição de cadeiras das Câmaras Municipais. No Município, as vagas se reduziram de 21 para 12, mudando totalmente o perfil das candidaturas e das coligações. A segunda batalha foi entre Gervásio Silva (PFL) e Fernando Elias (PSDB). O primeiro, ex-prefeito empreendedor, Deputado Federal no segundo mandato e praticamente imbatível. Fernando Elias, vereador por três legislaturas, Secretário de Educação, de carreira política ascendente e turbulenta, lutou incansavelmente pela indicação, embora despontasse com apenas 6% nas pesquisas, contra 35% de seu adversário. As tentativas para indicação do nome que disputaria para suceder Dário no PSDB iniciaram com lances cinematográficos. O Vice-Prefeito Vanildo Macedo, Prefeito – Tampão era o candidato natural. Mas assumira a Prefeitura em abril mandando auditar as contas de Dário. Carlos Acelino, Presidente do PSDB e o vice, José Natal gostariam de disputar. Édio Vieira, Secretário de Saúde, também estava no páreo. Pesquisa interna do Partido apontou a liderança de Vanildo, seguida de Fernando Elias e Édio. O acerto entre todos era pela indicação baseada no melhor desempenho na pesquisa. Elias afirmava que, com pesquisa ou sem, disputaria a Convenção de qualquer jeito. Pelas laterais, Juquinha, ex-Vereador de São José e futuro Secretário de Dário na capital, tentava negociar com o PSDB, para que o Partido indicasse aqui o vice na chapa de Gervásio (PFL). Na Convenção de 30 de junho, no Clube 1° de junho, presentes mais de mil pessoas, o impasse se consumou. O presidente Carlos Acelino já havia fechado quatro coligações, com o PMDB, PSDB, PTB e PP. Vanildo chegou à Convenção como candidato, Fernando Elias também, e afirmava que havia acertado com Vanildo, a desistência dele poucas horas antes. O Presidente, obedecendo ao acordo anterior e à pesquisa, lançou Vanildo. Fernando pediu a palavra e também se lançou. Com o quadro indefinido, surgiram mais três nomes para a disputa: José Natal, Édio Vieira e o próprio Acelino, que suspendeu a Convenção, para negociações. Vanildo se irritou, e abandonou o recinto com a esposa. Vários telefonemas para Vanildo não foram atendidos. O Secretário Estadual do Partido Marcos Vieira foi chamado para mediar a crise. O tempo foi passando e não houve acertos. Vanildo continuava desaparecido e sem contatos. A Convenção teria que ser encerrada à meia-noite, quando foi homologado o nome de Ademar Koerich de candidato transitório, como medida alternativa, até que as partes se acertassem. Passaram-se dois dias de reuniões, conversas e encontros com a Executiva Regional. Vanildo Macedo continuava sem dar sinal. A bancada estava imbuída de indicá-lo, desde que aparecesse. No dia 2 de julho, à noite, no Restaurante Pegorini, presentes Dalirio Beber, Presidente Estadual e sua Executiva, foi homologado o nome de Fernando Elias como candidato, por 16 vereadores: Édio Vieira, Carlos Acelino, José Natal, Agostinho Pauli, Adi Xavier e Adilson de Souza e o próprio Fernando, pelo PSDB. Pelo PMDB, Neri Amaral, Telmo Vieira e Valdemar Schmidt, este, na condição de candidato a Vice. Maria das Graças Pereira, Altevir Schmitz e Carlos Lelis votaram pelo PTB. Orvino e José Francisco da Rosa firmaram pelo PP. Estava formada a Coligação “Vencer pelo Trabalho” para enfrentar Gervásio Silva nas urnas. Dois dias após, o PP desistiu da Coligação, alegando que sua decisão de aliar-se dependia de que o candidato fosse Vanildo e o partido não apoiava Fernando Elias de jeito nenhum. Iniciada a campanha, muitos sobressaltos dominaram o cenário político de São José. Dário Berger deixara a Prefeitura em 31 de março, após promover uma debandada de Vereadores, do PFL para o PSDB, partido no qual disputaria a Prefeitura da Capital. Comentava-se que “na sombra” estava apoiando Gervásio, do PFL, ex-partido de todo o grupo político empenhado no processo. De outra parte, ante a aparente certeza de que Gervásio era imbatível, achava-se que muitos candidatos da Coligação Vencer pelo Trabalho, que unia PSDB, PMDB, PTB e PMN, ficavam em cima do muro. Carlos Acelino, Presidente da Câmara e do Partido, desgastado e irritado com o panorama, desistiu de disputar e abandonou sua candidatura a Vereador, já homologada pela Convenção. Fernando Elias começou a crescer nas pesquisas.  Incansável correu todo o Município, de manhã até a madrugada e chegava em casa diariamente, rouco e manco. Semanalmente subia 5 pontos. Pulou de 6% para 12%, depois 18%, 22%. Gervásio permanecia com os 35% iniciais. A campanha se parecia com a de 1996, quando Dário Berger iniciou com 3% contra 35% de Marli Marçal, fechando o mapa com 8.220 votos na frente. Para tumultuar mais a campanha, Domingos Ghedin, Secretário de Educação de Vanildo Macedo demitiu mais de 300 professores ACTs, todos ligados a Fernando. Faltando um mês para a eleição, Vanildo reuniu o secretariado e manifestou apoio à candidatura de Gervásio, sacramentando com esse ato indigesto, a vitória de seu adversário, com 8.856 votos na frente. O resultado oficial foi liberado às 23:25 horas pela Juíza Eleitoral Haydée Denise Grim. Compareceram 109.756 dos 122.870 eleitores aptos a votar em 337 urnas. A abstenção foi de 13.114 eleitores (10.67%), menor que a de 1996 (12.11%). No Ginásio de Esportes de São José, foram divulgados os números da eleição.  

 

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