Décima Sexta Legislatura
A Sucessão de Dário (II) – Candidato
instável, pretendente insistente e Convenção malograda
As eleições de São José em 2004 foram marcadas
por grandes disputas. A primeira delas foi a luta travada a nível nacional,
entre o Ministério Público e a classe política, que resultou na diminuição de
cadeiras das Câmaras Municipais. No Município, as vagas se reduziram de 21 para
12, mudando totalmente o perfil das candidaturas e das coligações. A segunda
batalha foi entre Gervásio Silva (PFL) e Fernando Elias (PSDB). O primeiro,
ex-prefeito empreendedor, Deputado Federal no segundo mandato e praticamente
imbatível. Fernando Elias, vereador por três legislaturas, Secretário de
Educação, de carreira política ascendente e turbulenta, lutou incansavelmente
pela indicação, embora despontasse com apenas 6% nas pesquisas, contra 35% de
seu adversário. As tentativas para indicação do nome que disputaria para
suceder Dário no PSDB iniciaram com lances cinematográficos. O Vice-Prefeito Vanildo
Macedo, Prefeito – Tampão era o candidato natural. Mas assumira a Prefeitura em
abril mandando auditar as contas de Dário. Carlos Acelino, Presidente do PSDB e
o vice, José Natal gostariam de disputar. Édio Vieira, Secretário de Saúde,
também estava no páreo. Pesquisa interna do Partido apontou a liderança de
Vanildo, seguida de Fernando Elias e Édio. O acerto entre todos era pela
indicação baseada no melhor desempenho na pesquisa. Elias afirmava que, com
pesquisa ou sem, disputaria a Convenção de qualquer jeito. Pelas laterais,
Juquinha, ex-Vereador de São José e futuro Secretário de Dário na capital,
tentava negociar com o PSDB, para que o Partido indicasse aqui o vice na chapa
de Gervásio (PFL). Na Convenção de 30 de junho, no Clube 1° de junho, presentes
mais de mil pessoas, o impasse se consumou. O presidente Carlos Acelino já
havia fechado quatro coligações, com o PMDB, PSDB, PTB e PP. Vanildo chegou à Convenção
como candidato, Fernando Elias também, e afirmava que havia acertado com
Vanildo, a desistência dele poucas horas antes. O Presidente, obedecendo ao
acordo anterior e à pesquisa, lançou Vanildo. Fernando pediu a palavra e também
se lançou. Com o quadro indefinido, surgiram mais três nomes para a disputa: José
Natal, Édio Vieira e o próprio Acelino, que suspendeu a Convenção, para
negociações. Vanildo se irritou, e abandonou o recinto com a esposa. Vários
telefonemas para Vanildo não foram atendidos. O Secretário Estadual do Partido
Marcos Vieira foi chamado para mediar a crise. O tempo foi passando e não houve
acertos. Vanildo continuava desaparecido e sem contatos. A Convenção teria que
ser encerrada à meia-noite, quando foi homologado o nome de Ademar Koerich de
candidato transitório, como medida alternativa, até que as partes se
acertassem. Passaram-se dois dias de reuniões, conversas e encontros com a
Executiva Regional. Vanildo Macedo continuava sem dar sinal. A bancada estava
imbuída de indicá-lo, desde que aparecesse. No dia 2 de julho, à noite, no Restaurante
Pegorini, presentes Dalirio Beber, Presidente Estadual e sua Executiva, foi
homologado o nome de Fernando Elias como candidato, por 16 vereadores: Édio
Vieira, Carlos Acelino, José Natal, Agostinho Pauli, Adi Xavier e Adilson de
Souza e o próprio Fernando, pelo PSDB. Pelo PMDB, Neri Amaral, Telmo Vieira e
Valdemar Schmidt, este, na condição de candidato a Vice. Maria das Graças
Pereira, Altevir Schmitz e Carlos Lelis votaram pelo PTB. Orvino e José
Francisco da Rosa firmaram pelo PP. Estava formada a Coligação “Vencer pelo
Trabalho” para enfrentar Gervásio Silva nas urnas. Dois dias após, o PP
desistiu da Coligação, alegando que sua decisão de aliar-se dependia de que o
candidato fosse Vanildo e o partido não apoiava Fernando Elias de jeito nenhum.
Iniciada a campanha, muitos sobressaltos dominaram o cenário político de São
José. Dário Berger deixara a Prefeitura em 31 de março, após promover uma
debandada de Vereadores, do PFL para o PSDB, partido no qual disputaria a
Prefeitura da Capital. Comentava-se que “na sombra” estava apoiando Gervásio,
do PFL, ex-partido de todo o grupo político empenhado no processo. De outra
parte, ante a aparente certeza de que Gervásio era imbatível, achava-se que
muitos candidatos da Coligação Vencer pelo Trabalho, que unia PSDB, PMDB, PTB e
PMN, ficavam em cima do muro. Carlos Acelino, Presidente da Câmara e do
Partido, desgastado e irritado com o panorama, desistiu de disputar e abandonou
sua candidatura a Vereador, já homologada pela Convenção. Fernando Elias
começou a crescer nas pesquisas.
Incansável correu todo o Município, de manhã até a madrugada e chegava
em casa diariamente, rouco e manco. Semanalmente subia 5 pontos. Pulou de 6%
para 12%, depois 18%, 22%. Gervásio permanecia com os 35% iniciais. A campanha
se parecia com a de 1996, quando Dário Berger iniciou com 3% contra 35% de
Marli Marçal, fechando o mapa com 8.220 votos na frente. Para tumultuar mais a
campanha, Domingos Ghedin, Secretário de Educação de Vanildo Macedo demitiu
mais de 300 professores ACTs, todos ligados a Fernando. Faltando um mês para a
eleição, Vanildo reuniu o secretariado e manifestou apoio à candidatura de
Gervásio, sacramentando com esse ato indigesto, a vitória de seu adversário,
com 8.856 votos na frente. O resultado oficial foi liberado às 23:25 horas pela
Juíza Eleitoral Haydée Denise Grim. Compareceram 109.756 dos 122.870 eleitores
aptos a votar em 337 urnas. A abstenção foi de 13.114 eleitores (10.67%), menor
que a de 1996 (12.11%). No Ginásio de Esportes de São José, foram divulgados os
números da eleição.

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