sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Memória Política

Carlos Acelino 



Décima Sexta Legislatura

A Sucessão de Dário (I) - Vereadores formam novo projeto político


            Com uma expressiva aprovação nas urnas, Dário Berger iniciou o segundo mandato no calor da ampla aprovação popular. Já em setembro de 2001, começaram as cogitações em torno da sucessão. No ano seguinte haveria eleição majoritária para presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais, e o tabuleiro político de São José iniciava seus primeiros movimentos.
            Fernando Elias, vereador mais votado em 2000 e Secretário de Educação, saiu do PFL no final de setembro, filiando-se ao PPB, de olho numa possível vaga a Deputado Federal ou estadual, prometida por Amin. Sabia que no PFL não teria chance, pois a bola da vez era o Secretario de Obras Djalma Berger, e Gervásio Silva iria para a reeleição à Câmara dos Deputados. A bancada do PFL, capitaneada pelo líder do governo Carlos Acelino, passou a exigir de Dário a exoneração de Fernando do cargo de Secretário, pois, a Educação era cota do partido no governo. Alfinetadas de ambas as partes esquentaram o processo. Édio Vieira, diretor da Ceasa e Agostinho Pauli, do Hospital Regional, ficaram no brete. Com a briga travada dentro da sigla e a provável exoneração de Elias, o governo do Estado (PPB), poderia retaliar e exonerá-los dos cargos. Dário dava uma de bombeiro, tentando convencer Elias a voltar atrás. Mesmo porque sua provável candidatura em 2002 enfraqueceria o Projeto São José: Gervásio federal e Djalma, estadual. Para complicar ainda mais o meio de campo, Vanildo Macedo, vice-prefeito também deixou o PFL filiando-se ao PPB, provavelmente de olho numa vaga para concorrer à Assembleia Legislativa. Fernando esperneava argumentando que queriam crucificá-lo. “- a região metropolitana tem 700 mil eleitores. É um absurdo que todo esse espaço seja ocupado por um só candidato” – dizia. Permanecendo o impasse Acelino, em carta de protesto entregue ao Prefeito, renunciou à liderança do governo em dezembro. Em abril de 2002, Djalma Berger deixou a Secretaria de Obras para concorrer a Deputado Estadual. Fernando retornou ao PFL, mantendo-se na Secretaria de Educação. Em outubro, Djalma Berger foi eleito deputado estadual e Gervásio Silva tornou-se o quarto Deputado Federal mais votado, reelegendo-se com 113.137 votos.
            Em 16 de fevereiro de 2003, faleceu tragicamente o vereador Eugenio Manoel da Cunha, na Ponte do Rio Maruim. No dia 8 de março de 2003, por consenso, foi eleita a nova Comissão Executiva Municipal do PFL, com Dário e Fernando Elias, Presidente e Vice, Jaime de Souza, Secretário e Carlos Acelino Tesoureiro.
            O primeiro desfecho que conduziria Dário à Prefeitura da Capital ocorreu em abril. As vésperas da Convenção Estadual, o Presidente do PFL Raimundo Colombo sinalizou oferecer a Dário a vice-presidência estadual do Partido e a possibilidade de sua indicação para concorrer a Prefeito de Florianópolis, espaço de há muito tempo pleiteado. Afinal, o PFL de São José era a maior bancada do Estado, com 8 vereadores e detinha a Prefeitura e a Presidência da Câmara. Os prognósticos não se realizaram. Na formação da nova executiva, Dário foi podado no processo. Encaminhou carta de desfiliação, em 9 de abril, diretamente ao senador Jorge Bornhausen. Ato contínuo, o PMDB também começou a conversar com Dário, sem oferecer a candidatura na Capital. O candidato deles era João Henrique Blasi. Iniciava-se ali o esboço do novo projeto político, que migraria todo o grupo pefelista que o apoiava, para o PSDB. Em setembro, Dário transferiu o título eleitoral para Florianópolis, filiando-se ao PSDB, em ato na Assembleia Legislativa, com a presença de Leonel Pavan e Marcos Vieira. No mesmo mês, os vereadores da base de apoio reuniram-se na churrascaria Riosulense, Estreito e decidiram seguir Dário na sigla.
            Apesar de muita conversa, a vereadora Adeliana bateu o pé em ficar no PFL, com Gervásio e foi exonerada da Saúde onde se manteve por 8 anos, 9 meses e 21 dias, retornando à Câmara. Lédio Coelho também não veio e Luiz Raupp continuou no Parlamento, na vaga de Édio Vieira, também permanecendo no PFL. O relutante Fernando Elias, finalmente juntou-se ao grupo. O acordo tácito era de que todos comporiam a nova sigla, com a condição de que Gervásio não fosse candidato no ano seguinte. Caso ocorresse, o candidato do PSDB seria um vereador. Migraram para o PSDB João Rogério de Farias, João Ricardo, Juquinha, David Leôncio, Adi Xavier, Édio Vieira, Agostinho Pauli, Fernando Elias, Peduca, Carlos Acelino e Vanildo Macedo. José Natal Pereira também deixou o PPB e filiou-se ao PSDB, que perdeu o seu até então único vereador, Altevir Schmitz que correu para o PTB.
            No dia 17 de agosto, o Diretório municipal do PSDB se auto-dissolveu, para formação de um novo grupo, agregando todos os novos tucanos. Uma Comissão Provisória foi formada no intuito de reorganizar o Partido. Natal continuou como Presidente e a Comissão incluía Ademar Koerich, Sandra Bampi, Flavio Bernardes, Carlos Acelino, Djalma Berger, Édio Vieira, Fernando Elias, Adi Xavier, João Rogério de Farias e Agostinho Pauli. Já nessa época, fortes rumores na cidade afirmavam que Gervásio seria candidato em 2004, pelo PFL e César Souza, como sempre, também. Em 27 de setembro, os tucanos fizeram um dia de filiações, somando 752 fichas.
            A Convenção, realizada em 29 de novembro no Ginásio João Martins, Areias, elegeu o novo Diretório, mas não concluiu a Executiva, com o surgimento da candidatura de Fernando para Presidente. A chapa estava definida em consenso quando Elias decidiu melar o acordo e disputar o cargo com Acelino. Foi então marcada a reunião do Diretório para 3 de dezembro na Câmara Municipal onde, após discursos inflamados e muita conversa nos bastidores, Fernando recuou do intento e permaneceu na chapa como Secretário, cargo que tinha sido oferecido a Ademar Koerich, e que foi disputado entre ele e Édio Vieira, o qual perdeu na votação. Para unir o grupo, Ademar abriu mão de seu cargo. Foi finalmente aclamada a nova Comissão Executiva: Presidente, Carlos Acelino; Vice-Presidente, José Natal; Secretário, Fernando Elias; Tesoureiro, Édio Vieira e Vogais, Adi Xavier e Agostinho Pauli. Estava dada a largada para a sucessão de Dário Berger.


 

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