Décima Sexta Legislatura
A Sucessão de Dário (I) - Vereadores
formam novo projeto político
Com uma
expressiva aprovação nas urnas, Dário Berger iniciou o segundo mandato no calor
da ampla aprovação popular. Já em setembro de 2001, começaram as cogitações em
torno da sucessão. No ano seguinte haveria eleição majoritária para presidente,
governador, senadores, deputados federais e estaduais, e o tabuleiro político
de São José iniciava seus primeiros movimentos.
Fernando
Elias, vereador mais votado em 2000 e Secretário de Educação, saiu do PFL no
final de setembro, filiando-se ao PPB, de olho numa possível vaga a Deputado
Federal ou estadual, prometida por Amin. Sabia que no PFL não teria chance,
pois a bola da vez era o Secretario de Obras Djalma Berger, e Gervásio Silva
iria para a reeleição à Câmara dos Deputados. A bancada do PFL, capitaneada
pelo líder do governo Carlos Acelino, passou a exigir de Dário a exoneração de
Fernando do cargo de Secretário, pois, a Educação era cota do partido no
governo. Alfinetadas de ambas as partes esquentaram o processo. Édio Vieira,
diretor da Ceasa e Agostinho Pauli, do Hospital Regional, ficaram no brete. Com
a briga travada dentro da sigla e a provável exoneração de Elias, o governo do
Estado (PPB), poderia retaliar e exonerá-los dos cargos. Dário dava uma de
bombeiro, tentando convencer Elias a voltar atrás. Mesmo porque sua provável
candidatura em 2002 enfraqueceria o Projeto São José: Gervásio federal e
Djalma, estadual. Para complicar ainda mais o meio de campo, Vanildo Macedo,
vice-prefeito também deixou o PFL filiando-se ao PPB, provavelmente de olho
numa vaga para concorrer à Assembleia Legislativa. Fernando esperneava
argumentando que queriam crucificá-lo. “- a região metropolitana tem 700 mil
eleitores. É um absurdo que todo esse espaço seja ocupado por um só candidato”
– dizia. Permanecendo o impasse Acelino, em carta de protesto entregue ao
Prefeito, renunciou à liderança do governo em dezembro. Em abril de 2002,
Djalma Berger deixou a Secretaria de Obras para concorrer a Deputado Estadual.
Fernando retornou ao PFL, mantendo-se na Secretaria de Educação. Em outubro,
Djalma Berger foi eleito deputado estadual e Gervásio Silva tornou-se o quarto Deputado
Federal mais votado, reelegendo-se com 113.137 votos.
Em
16 de fevereiro de 2003, faleceu tragicamente o vereador Eugenio Manoel da
Cunha, na Ponte do Rio Maruim. No dia 8 de março de 2003, por consenso, foi
eleita a nova Comissão Executiva Municipal do PFL, com Dário e Fernando Elias,
Presidente e Vice, Jaime de Souza, Secretário e Carlos Acelino Tesoureiro.
O
primeiro desfecho que conduziria Dário à Prefeitura da Capital ocorreu em abril. As vésperas da
Convenção Estadual, o Presidente do PFL Raimundo Colombo sinalizou oferecer a
Dário a vice-presidência estadual do Partido e a possibilidade de sua indicação
para concorrer a Prefeito de Florianópolis, espaço de há muito tempo pleiteado.
Afinal, o PFL de São José era a maior bancada do Estado, com 8 vereadores e
detinha a Prefeitura e a Presidência da Câmara. Os prognósticos não se
realizaram. Na formação da nova executiva, Dário foi podado no processo.
Encaminhou carta de desfiliação, em 9 de abril, diretamente ao senador Jorge
Bornhausen. Ato contínuo, o PMDB também começou a conversar com Dário, sem
oferecer a candidatura na Capital. O candidato deles era João Henrique Blasi.
Iniciava-se ali o esboço do novo projeto político, que migraria todo o grupo
pefelista que o apoiava, para o PSDB. Em setembro, Dário transferiu o título
eleitoral para Florianópolis, filiando-se ao PSDB, em ato na Assembleia
Legislativa, com a presença de Leonel Pavan e Marcos Vieira. No mesmo mês, os
vereadores da base de apoio reuniram-se na churrascaria Riosulense, Estreito e
decidiram seguir Dário na sigla.
Apesar
de muita conversa, a vereadora Adeliana bateu o pé em ficar no PFL, com
Gervásio e foi exonerada da Saúde onde se manteve por 8 anos, 9 meses e 21
dias, retornando à Câmara. Lédio Coelho também não veio e Luiz Raupp continuou
no Parlamento, na vaga de Édio Vieira, também permanecendo no PFL. O relutante
Fernando Elias, finalmente juntou-se ao grupo. O acordo tácito era de que todos
comporiam a nova sigla, com a condição de que Gervásio não fosse candidato no
ano seguinte. Caso ocorresse, o candidato do PSDB seria um vereador. Migraram
para o PSDB João Rogério de Farias, João Ricardo, Juquinha, David Leôncio, Adi
Xavier, Édio Vieira, Agostinho Pauli, Fernando Elias, Peduca, Carlos Acelino e
Vanildo Macedo. José Natal Pereira também deixou o PPB e filiou-se ao PSDB, que
perdeu o seu até então único vereador, Altevir Schmitz que correu para o PTB.
No
dia 17 de agosto, o Diretório municipal do PSDB se auto-dissolveu, para
formação de um novo grupo, agregando todos os novos tucanos. Uma Comissão Provisória
foi formada no intuito de reorganizar o Partido. Natal continuou como
Presidente e a Comissão incluía Ademar Koerich, Sandra Bampi, Flavio Bernardes,
Carlos Acelino, Djalma Berger, Édio Vieira, Fernando Elias, Adi Xavier, João
Rogério de Farias e Agostinho Pauli. Já nessa época, fortes rumores na cidade
afirmavam que Gervásio seria candidato em 2004, pelo PFL e César Souza, como
sempre, também. Em 27 de setembro, os tucanos fizeram um dia de filiações,
somando 752 fichas.
A
Convenção, realizada em 29 de novembro no Ginásio João Martins, Areias, elegeu
o novo Diretório, mas não concluiu a Executiva, com o surgimento da candidatura
de Fernando para Presidente. A chapa estava definida em consenso quando Elias
decidiu melar o acordo e disputar o cargo com Acelino. Foi então marcada a
reunião do Diretório para 3 de dezembro na Câmara Municipal onde, após discursos
inflamados e muita conversa nos bastidores, Fernando recuou do intento e
permaneceu na chapa como Secretário, cargo que tinha sido oferecido a Ademar
Koerich, e que foi disputado entre ele e Édio Vieira, o qual perdeu na votação.
Para unir o grupo, Ademar abriu mão de seu cargo. Foi finalmente aclamada a
nova Comissão Executiva: Presidente, Carlos Acelino; Vice-Presidente, José
Natal; Secretário, Fernando Elias; Tesoureiro, Édio Vieira e Vogais, Adi Xavier
e Agostinho Pauli. Estava dada a largada para a sucessão de Dário Berger.

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